vanta

Como se sente um encontro completo, do começo ao fim?

Pode aparecer calor erótico, choro, sono ou simplesmente paz. Nada disso é problema, e nada disso é a meta.

Quando alguém diz massagem completa, às vezes se imagina um percurso que termina nos genitais, como se o corpo tivesse um centro e todo o resto fosse só caminho. Completa, aqui, quer dizer outra coisa: que o corpo inteiro é convidado, e que o yoni, se combinarmos, entra como mais uma região.

Vou te contar o arco de um encontro. Não para você saber exatamente o que esperar —há um mistério que vale respeitar—, mas para não chegar às cegas.

Antes

Quase sempre existe uma hora estranha antes. Você toma banho, se olha no espelho, pensa em cancelar. É normal. Não precisa chegar em nenhum estado especial. Não precisa estar depilada, nem descansada, nem de bom humor, nem ter resolvido a sua relação com o seu corpo. Você vem como está.

A primeira meia hora

A gente se senta e conversa. O que te traz, como você anda dormindo, quais regiões te dão vergonha, quais você não quer que sejam tocadas. Falamos da nudez: a sua, que é sugerida mas nunca obrigatória, e a minha, que a gente combina ali. Falamos do yoni: sim, não, talvez, e o que cada uma dessas opções significa de verdade.

E combinamos como se para. Uma palavra, um gesto, a mão que se levanta. É a parte que sustenta todo o resto. Quando você sabe que pode parar, o corpo deixa de vigiar.

A hora de corpo

O contato começa longe. Costas, ombros, a parte de trás das pernas, os pés. Depois as costelas, a barriga, os braços, o rosto. Tem óleo, tem calor, tem silêncio ou tem música, e não tem nenhuma sequência a cumprir. O ritmo é lento, quase cerimonial.

Se combinamos yoni, ele chega mais tarde, quando o sistema nervoso já entendeu o ritmo. Se não combinamos, o resto do corpo tem uma hora inteira, e isso não é uma versão reduzida de nada.

Eu presto mais atenção na sua respiração do que nas suas palavras. Se algo muda, eu pergunto. Se você prefere não falar, a gente não fala.

O que pode aparecer?

Calor. Frio. Formigamento nas mãos. Um vazio estranho no peito. Vontade de rir porque dá um pouco de vergonha que seja tão simples. Sono profundo, do tipo que chega de uma vez. Choro sem drama, água que o corpo tinha guardado e solta quando finalmente ninguém pede nada dele.

Tédio também pode aparecer. Meia hora em que nada memorável acontece e você se pergunta se está fazendo errado. Não está fazendo errado. O tédio é o que sobra quando o ruído desliga, e às vezes é a primeira vez em meses que a sua cabeça não tem nada urgente.

E pode aparecer calor erótico —suave ou intenso—. É bem-vindo como possibilidade, não como meta. Quem facilita acompanha essa energia sem transformar o encontro num date nem numa troca recíproca. Também pode aparecer se apaixonar um pouco por quem te toca: acontece com terapeutas, com professoras, com quem escuta bem. Tem nome, transferência, e passa. Não é sinal, e não é convite para escrever naquela noite.

Depois

As horas seguintes costumam ser lentas. Fome, sono, pouquíssima paciência para telas. Não é uma promessa milagrosa: é que o seu sistema nervoso passou noventa minutos sem negociar nada, e isso deixa uma ressaca amável.

Se der, não marque um jantar em que você tenha que estar encantadora. Coma algo quente. Durma. Se aparecer tristeza, deixe passar sem transformar em conteúdo.

Como saber se foi bom?

Não pela intensidade. Não por você ter chorado, ou gozado, ou sentido algo que dê para contar. As perguntas úteis são outras três: você se sentiu bem? Podia dizer não em qualquer momento, mesmo sem ter precisado? Saiu um pouco mais habitável do que quando chegou?

E se algo não se sentiu bem, isso também é informação válida. O corpo não é obrigado a agradecer.

Continuar lendo

Consultar disponibilidade no seu bairro